Os limites do marketing jurídico e o cuidado nas redes sociais

Os limites do marketing jurídico e o cuidado nas redes sociais

O poder de divulgação das redes sociais é inegável, mas é preciso atenção com os limites do marketing jurídico no meio digital. O assunto é sensível e vai muito além das recomendações estratégicas sobre as quais já falamos, como conteúdo original, relevante e atualizado. Afinal, o consumidor está cada vez mais exigente e não abre mão da qualidade.
A ética na publicidade jurídica divide opiniões. Ainda que a 1ª Turma do Tribunal de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) tenha autorizado sua prática, desde que as restrições sobre a mercantilização da advocacia sejam respeitadas, ainda há divergências dentro do próprio Conselho Federal da classe. Essas divergências fazem com que a autorização esteja longe de ser uma unanimidade.

Limites do marketing jurídico

A grande questão é que muitos advogados utilizam suas páginas no Facebook para promoção através de anúncios de serviço. Dessa forma, as páginas, que deveriam estreitar o relacionamento entre público e profissional, tornam-se verdadeiras vitrines digitais. Além de ser uma publicidade pobre – que não respeita a jornada de compra do público – essa atitude é desencorajada pela OAB.
De acordo com a ementa aprovada pela OAB-SP, as informações disponibilizadas devem ter caráter objetivo e respeitar as condições impostas pelo Estatuto da Advocacia, pelo Provimento nº 94/2000 do Conselho Federal da OAB e pelo Código de Ética e Disciplina.
E quais são essas condições? Bom, resumimos em 3 itens:

  • O advogado não deve publicar informações com o intuito de adquirir clientela;
  • O advogado não deve compartilhar informações sigilosas ou confiadas por clientes;
  • O advogado não deve incentivar a litigância ou ferir a dignidade da profissão.

É possível unir redes sociais e marketing jurídico?

A interpretação dos limites do marketing jurídico pode ser complicada, já que o marketing é tradicionalmente utilizado para divulgação de serviços. Nos Estados Unidos, por exemplo publicidade e marketing jurídico são encontrados livremente nas vias públicas em uma clara disputa pelo próximo cliente. Já no Brasil a Ordem vê com severidade o estímulo ao conflito.
Então, fuja dos anúncios pagos e não trate suas redes sociais como um canal de venda. Aproveite sua página para estreitar o relacionamento com clientes. Produza conteúdo relevante e de qualidade, compartilhe notícias úteis e responda às perguntas. Tudo isso com uma linguagem simples e adequada. Lembre-se: nas redes sociais o marco de sucesso é o engajamento, não a venda.

O que pode e o que não pode

Em agosto de 2001 a Ordem dos Advogados do Brasil editou o Provimento 94/2000 que rege a propaganda, publicidade e divulgação da advocacia no país. Listamos abaixo um resumo do que é proibido e o que é permitido.

Marketing jurídico: o que pode

  • Possuir um site e perfis nas redes sociais;
  • Informar a identificação curricular, pessoal ou da sociedade de advogados;
  • Divulgar os nomes dos advogados que compõem o escritório;
  • Esclarecer horário de atendimento ao público;
  • Divulgar idiomas atendidos pelo escritório;
  • Informar o número da inscrição dos advogados ou registro da sociedade;
  • Divulgar o endereço do escritório principal e das filiais, assim como contatos;
  • Informar o diploma de bacharel em Direito, qualificações profissionais e títulos acadêmicos reconhecidos;

Marketing jurídico: o que não pode

  • Não é permitida referência direta ou indireta a qualquer função ou cargo público, ou relação de patrocínio ou emprego que tenha exercido;
  • Divulgação dos valores dos serviços, forma de pagamento ou gratuidade;
  • Oferta de serviços em relação a casos concretos ou convocação para postulação de interesses em vias administrativas ou judiciais; emprego de expressões ou orações persuasivas, de comparação ou auto engrandecimento;
  • Menção a clientes ou assuntos profissionais e demandas sob seu patrocínio;
  • Informações sobre estrutura, dimensões ou qualidades do escritório;
  • Utilização de meios promocionais típicos da atividade mercantil;
  • Menção a título acadêmico não reconhecido;
  • Emprego de fotos ou ilustrações, marcas ou símbolos da advocacia incompatíveis com a sobriedade da profissão;
  • Indução ou promessa de resultados com dispensa de pagamento de honorários e veiculação do exercício da advocacia em conjunto com outra atividade.